“Eu sou resistência em um país que não aceita pessoas trans”, diz Amanda Fróes em entrevista a Val Marchiori
No podcast Hello Val, Val Marchiori recebe Amanda Fróes, mulher trans, influenciadora e empresária, que compartilha sua trajetória de superação, episódios de transfobia, polêmicas públicas e a busca por respeito e representatividade
No episódio mais recente do podcast Hello Val, Val Marchiori recebeu a influenciadora, empresária e ex-modelo Amanda Fróes, uma mulher trans cuja trajetória é marcada pela coragem, autenticidade e enfrentamento de preconceitos. Em um bate-papo sincero e poderoso, Amanda declarou: “Eu sou resistência em um país que não aceita pessoas trans” — frase que simboliza sua luta e sua força diante das adversidades.
Transfobia, violência e denúncia
Durante a entrevista, Amanda relatou um episódio de transfobia ocorrido em seu condomínio de alto padrão no Rio de Janeiro, onde foi violentamente ofendida por um vizinho. “Comprei uma casa para me sentir segura e, mesmo assim, fui chamada de traveco na porta da minha residência”, contou. A influenciadora procurou a DECRADI, delegacia especializada em crimes de intolerância, e denunciou o agressor.
O porquinho viral e o julgamento das redes
Amanda também relembrou o episódio em que seu porquinho de estimação, hoje chamado de “Porque”, defecou em uma loja da Apple. Apesar de o shopping ser pet friendly e ela ter pedido apoio à equipe de limpeza, um vídeo gravado por um desconhecido foi divulgado fora de contexto, gerando uma onda de ataques. “Me chamaram de porca e disseram que lugar de porco era na churrasqueira. Sofri um linchamento digital”, afirmou.
Embate com Jojo Todynho: Processo judicial em andamento
Outro ponto forte da conversa foi o processo movido por Amanda contra a cantora Jojo Todynho. “Ela me chamou de vagabunda publicamente. Me xingou para milhões de seguidores e agora diz que está fazendo direito. Isso não pode passar impune”, declarou. Val Marchiori expressou solidariedade e disse que se colocaria à disposição como testemunha. “Pode me chamar que eu vou no tribunal com você”, afirmou a apresentadora.
Mercado publicitário e preconceito silencioso
Apesar da visibilidade, Amanda expôs as barreiras que enfrenta como mulher trans no mercado de influência. “Sou a cara de muitas marcas, mas elas não me procuram. Faço permuta, mas não recebo cachê”, desabafou. Ela criticou a hipocrisia de influenciadores que ganham dinheiro promovendo jogos de azar: “Ganham com a desgraça alheia e dizem que não têm responsabilidade”.
Redesignação e identidade
Amanda contou que realizou sua cirurgia de redesignação há dez anos, em Bangkok, na Tailândia. “É dolorido, mas libertador. Sempre fui uma criança trans. Queria viver em um corpo que representasse quem eu sou”, explicou. Ela aproveitou para desmistificar o procedimento e criticou a desinformação: “Não é como muitos pensam. Não cortam tudo, é uma reconstrução com dignidade”.
Mensagem para meninas trans
Ao ser perguntada sobre que mensagem deixaria para jovens trans, Amanda foi direta: “Não desistam. Sejam resistência. Este mundo ainda tenta nos apagar, mas a vida é linda e vale a pena ser vivida com coragem”. A influenciadora reforçou a importância de se manter firme mesmo diante da opressão, e destacou que ainda há muito o que conquistar em termos de respeito.
Planos e sonhos
Amanda revelou que sonha em ter um quadro na televisão, onde possa compartilhar sua história e inspirar outras pessoas com mensagens positivas. “Tem muita coisa ruim no mundo. Quero ser alguém que leva luz e esperança.” Na vida pessoal, deseja seguir cercada de seus animais e viver em paz. “Já me decepcionei muito com pessoas, mas ainda acredito que o bem existe.”
A entrevista terminou com um recado direto de Amanda: “Façam o que quiserem com suas vidas, com respeito. Vivam!”. Val Marchiori, visivelmente emocionada, reforçou: “Você é uma mulher poderosa. O Brasil precisa de mais vozes como a sua.”



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