“As pessoas se espantam quando digo que sou formada! Eu sou veterinária e produtora” afirma MC Erikah sobre direito na música
Cantora da Love Funk fala com Dra. Nádia Ribeiro sobre contratos, imagem e preconceitos no funk feminino
Em entrevista exclusiva para o portal The Date News, a advogada Dra. Nádia Ribeiro conversou com a cantora MC Erikah sobre os bastidores jurídicos da música, especialmente no cenário do funk. Reconhecida por sua autenticidade e versatilidade, a artista abriu o jogo sobre contratos, direitos de imagem e os preconceitos que ainda enfrentam as mulheres no gênero.
MC Erikah garantiu que nunca teve problemas ao registrar ou lançar suas músicas. Segundo ela, a Love Funk; produtora responsável pela sua carreira; dispõe de uma equipe jurídica dedicada. “Já trabalho como produtora há bastante tempo, então tudo é feito certinho, com acompanhamento jurídico”, explicou.
Sobre o uso indevido de sua imagem, a artista revelou que já teve conteúdo pessoal do Instagram utilizado sem autorização por uma plataforma estrangeira. “Foi uma empresa chinesa. Fica mais complicado resolver quando envolve leis internacionais, mas hoje em dia a internet não é mais terra sem lei. Dá para correr atrás”, comentou.
Contratos e organização editorial
A funkeira detalhou ainda como são estruturados seus contratos. O modelo padrão da produtora prevê um acordo integral com permissão para músicas ilimitadas. No entanto, parcerias externas exigem contratos individuais, incluindo divisão de royalties e formalização digital. “Chega tudo direitinho no e-mail. A gente assina o que for necessário e todo mundo recebe sua parte”, explicou.
Ao abordar o machismo no funk, MC Erikah foi direta: “Há 13 anos era uma luta usar até a roupa que a gente queria. Hoje o preconceito diminuiu, mas ainda existe. As pessoas julgam a letra, a postura, e esquecem que o funk é plural; tem o Proibidão, o pop, o mandelão, e todos são legítimos.”
Ela ressaltou que, mesmo com conquistas, o olhar preconceituoso persiste quando uma mulher se posiciona no gênero. “Ainda há resistência sobre o que a mulher pode ou não cantar. A verdade é que podemos cantar o que quisermos. Está tudo bem.”
Funkeira e veterinária formada
MC Erikah revelou também que é formada em Medicina Veterinária. “As pessoas se espantam quando descobrem. Falam: ‘Funkeira tem faculdade?’. Já ouvi muito isso”, contou. Para ela, o preconceito não está apenas na estética, mas na ideia de que funkeiro só pode vencer pela música. “A gente pode ser o que quiser, e quantas coisas quiser”, completou.
Além de cantora, MC Erikah é compositora e acumula mais de 300 músicas nas plataformas. Ao final da entrevista, ela cantou um trecho da faixa “Mais uma fã encubada”, que viralizou entre seus seguidores. “Cê quer me copiar, cê quer me copiar… mas o seu nível tá baixo, não consegue acompanhar”, soltou, com carisma.
Para ouvir mais, basta buscar por “MC Erikah” no Spotify. A artista também compartilha sua rotina e bastidores no Instagram oficial @mcerikah, onde interage com fãs e divulga lançamentos.
A entrevista aconteceu durante o evento Mandelão, da GR6, em São Paulo. Dra. Nádia encerrou com elogios: “Você me representa, Erikah. A arte liberta, e estudar também. Parabéns pelo seu talento e trajetória.” A funkeira retribuiu o carinho: “Muito obrigada, de coração. Que Deus abençoe vocês também.”
Sobre a Molho Records
A Molho Records nasce com um propósito ousado e necessário: revolucionar o funk mandelão pela raiz, devolvendo ao gênero sua autenticidade, potência estética e relevância cultural. Mais do que um selo fonográfico, somos um movimento criativo e cultural, feito para resgatar, amplificar e reposicionar a essência dos bailes de quebrada dentro da indústria musical contemporânea.
Nosso ponto de partida é inegociável. Valorizamos a cultura periférica, sua linguagem, seus códigos, suas sonoridades e sua capacidade de narrar o cotidiano com originalidade e força. A missão da Molho é ser ponte entre a vivência real das favelas e o mercado da música urbana, mantendo a verdade do fluxo como prioridade, sem distorções, sem filtros e sem moldes prontos.
Nosso diferencial está na experiência artística e coletiva. Diretamente da sede da GR6, realizaremos os campings criativos, encontros imersivos com artistas, produtores e beatmakers que irão criar fonogramas dentro de um ambiente que recria fielmente a atmosfera dos bailes e fluxos de favela. Cada detalhe será pensado para mergulhar os participantes na estética crua e vibrante do mandelão, da produção à entrega final.
Mas a Molho Records não se contenta com estética. Nosso objetivo é reescrever a história do funk mandelão. Queremos colocar na rua fonogramas com alto potencial de impacto, feitos para explodir nos streamings, tomar conta dos palcos e ecoar nos paredões. Vamos romper fronteiras e ressignificar o papel do mandelão dentro do mercado fonográfico com estratégia, qualidade e identidade.
Porque o mandelão é mais que um ritmo. É um modo de existir, de resistir, de contar o mundo sob outra ótica.
Molho Records é mais que selo. É vivência. É manifesto. É movimento.
É o mandelão em seu estado mais puro, bruto e potente.




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