Asma ainda é desafio de saúde pública no Brasil com 20 milhões de casos e alerta para o diagnóstico

No Dia Mundial da Asma, especialistas reforçam a necessidade de tratamento contínuo para reduzir mortes

Apesar dos avanços tecnológicos da medicina e do acesso facilitado à informação, a asma permanece como uma das doenças crônicas mais subestimadas e mal compreendidas em escala global. Em 2026, a rotina acelerada das metrópoles, somada ao agravamento da poluição ambiental e às mudanças climáticas, elevou a relevância deste debate. Com a chegada do Dia Mundial da Asma, celebrado em 5 de maio, o Brasil acende um sinal de alerta: a doença não é apenas um incômodo respiratório passageiro, mas uma condição que, sem o devido controle, sobrecarrega o sistema de saúde e ceifa milhares de vidas que poderiam ser salvas com intervenções preventivas simples.

O Impacto da Asma no Cenário Brasileiro e Global

Os números que cercam a patologia são alarmantes. Globalmente, estima-se que mais de 260 milhões de pessoas convivam com a asma, resultando em cerca de 400 mil óbitos anuais, concentrados majoritariamente em nações de baixa e média renda. No Brasil, a realidade reflete essa vulnerabilidade. São aproximadamente 20 milhões de brasileiros afetados, gerando um volume crítico de 350 mil internações anuais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse dado coloca a asma como uma das principais causas de hospitalização no país, evidenciando que, embora o tratamento seja teoricamente acessível, a gestão da doença na ponta final ainda falha drasticamente.

O grande vilão desse cenário é o subdiagnóstico. Muitos pacientes negligenciam sintomas persistentes, atribuindo esses sinais a alergias sazonais ou falta de condicionamento físico. A pneumologista Fernanda Aguiar, coordenadora do serviço de medicina respiratória do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), explica que o desafio não é apenas medicamentoso, mas educativo. Segundo a especialista, o tratamento está disponível, mas o acompanhamento regular é frequentemente interrompido pelo próprio paciente assim que ele percebe uma melhora momentânea nos sintomas.

Desafios Regionais e a Barreira da Adesão

Na Bahia e em todo o Nordeste, a persistência dos casos de asma é influenciada por uma combinação complexa de fatores climáticos e sociais. Condições habitacionais precárias, a poluição urbana crescente e a desigualdade no acesso a especialistas tornam o controle da doença uma tarefa árdua. Estudos apontam que a incidência é maior entre crianças e adolescentes, atingindo entre 10% e 20% da população brasileira, mas a adesão ao tratamento inalatório contínuo é baixa. O resultado é trágico: cerca de duas mil mortes por ano no Brasil, e a maioria delas é considerada evitável pela comunidade médica.

A asma manifesta-se como uma inflamação crônica das vias aéreas, apresentando sinais claros como chiado no peito, falta de ar e tosse seca. No entanto, o comportamento do paciente costuma ser reativo, pois busca-se o inalador, a famosa bombinha, apenas durante as crises. Esse uso episódico não trata a inflamação de base, o que aumenta exponencialmente o risco de crises graves e danos pulmonares permanentes ao longo do tempo.

O Tema de 2026 e o Caminho para o Controle

O tema do Dia Mundial da Asma em 2026, “Acesso a inaladores anti-inflamatórios para todas as pessoas com asma, uma necessidade ainda urgente”, foca diretamente na democratização da terapia preventiva. A campanha deste ano busca sensibilizar gestores públicos e a sociedade civil para o fato de que o inalador anti-inflamatório não deve ser um item de luxo ou de difícil acesso, mas a base fundamental do tratamento para todo e qualquer asmático.

Mais do que uma efeméride no calendário da saúde, o 5 de maio é um chamado à ação. A conscientização sobre a necessidade do diagnóstico precoce e a manutenção do acompanhamento médico regular são as únicas ferramentas capazes de transformar a asma de uma ameaça silenciosa em uma condição controlada. Com educação e política pública eficiente, é possível reduzir drasticamente o número de hospitalizações e garantir que os pacientes respirem com liberdade e qualidade de vida.

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