CPI dos Pancadões: o funk como bode expiatório da vez
Engenheira Camila Santos critica iniciativa da Câmara Municipal de São Paulo e aponta criminalização da juventude periférica
A instalação da CPI dos Pancadões na Câmara Municipal de São Paulo é o mais recente factóide da política paulistana. Em ano pré-eleitoral, com partidos em busca de holofotes, transformar o funk e os fluxos em “inimigo público número um” é uma estratégia que mobiliza o medo, gera manchetes sensacionalistas e, mais uma vez, criminaliza a juventude da periferia.
O que a CPI promete “investigar” já é regulado desde a Lei do Pancadão, de 2013. Para a engenheira Camila Santos, o problema não está na cultura, mas na falha crônica do poder público.
“Quando a cidade não oferece espaços de lazer, circuitos noturnos e políticas culturais que dialoguem com a realidade da periferia, os jovens criam seus próprios espaços. Criminalizar esses movimentos é negar o direito à cidade”, afirma Camila Santos.
O funk, longe de ser ameaça, é hoje uma das maiores indústrias criativas do Brasil, revelando talentos, movimentando a economia e colocando o país no mapa da música urbana. Os pancadões, por sua vez, funcionam como o maior e mais democrático festival de funk, organizado de forma coletiva nas periferias.
“Assim como já aconteceu com o rap e o samba, vemos novamente um espetáculo moralista que mascara uma questão urbana urgente: a falta de políticas públicas que reconheçam a cultura periférica como parte do tecido urbano”, completa a engenheira.
Em vez de atrelar o funk ao crime organizado, a discussão deveria focar em soluções efetivas para o acesso urbano e o direito à cidade. Apenas assim, segundo Camila Santos, será possível encontrar respostas concretas para os desafios que envolvem a juventude periférica.



Publicar comentário