Quem lucra com a criação periférica? estudo expõe desigualdade digital

 Pesquisa revela que visibilidade nas plataformas não garante renda estável para criadores periféricos

O debate sobre quem lucra com a criação periférica ganha força no Brasil em meio ao crescimento das plataformas digitais. Um estudo recente revela que o aumento da visibilidade não garante estabilidade financeira para artistas e produtores culturais das periferias. A pesquisa aponta um cenário de contradição dentro da economia criativa, onde alcance e renda caminham em ritmos diferentes .

Expansão digital e limites da monetização

Nos últimos anos, plataformas como Spotify, YouTube, Instagram e TikTok ampliaram o acesso à distribuição cultural. Esse movimento abriu portas para artistas independentes. No entanto, a pesquisa conduzida por Camila Santos, da Margem Viva, em parceria com o Reglab, mostra que essa expansão não se traduz automaticamente em autonomia econômica.

Segundo o estudo, há um paradoxo claro. A circulação de conteúdo cresce de forma acelerada. Porém, a renda permanece instável e, muitas vezes, insuficiente para sustentar carreiras artísticas .

Além disso, o estudo não buscou comparar ganhos financeiros. O foco foi entender como funcionam os mecanismos de monetização na prática. A análise envolveu criadores da música, audiovisual e produção cultural.

Entre visibilidade e sobrevivência

A principal constatação revela um dado preocupante. A maior parte da renda dos criadores não vem de direitos autorais. Em vez disso, surge de trabalhos diretos, como apresentações, publicidade e serviços criativos.

Esse modelo é conhecido como renda ativa. Ele exige presença constante e esforço contínuo. Já a renda patrimonial, ligada a royalties e execuções, aparece de forma irregular e residual .

Na prática, isso significa que o sucesso nas plataformas não garante estabilidade financeira. O artista pode viralizar, mas ainda assim enfrentar dificuldades para pagar contas.

Cadeia complexa e distribuição desigual

Outro ponto central envolve a cadeia de intermediação. Entre o criador e o público existem diversos agentes. Distribuidoras, gravadoras e agregadores participam da gestão das obras.

Quando uma música gera receita, o valor passa por várias etapas antes de chegar ao artista. Esse processo dilui os ganhos e reduz o controle do criador sobre sua própria produção .

Em muitos casos, os artistas entram nesse sistema sem compreender as regras. A falta de informação aumenta a vulnerabilidade dentro de uma indústria altamente lucrativa.

Falta de transparência e informação

A pesquisa também destaca a dificuldade de acesso a dados claros. Muitos criadores não entendem como os valores são calculados. Relatórios complexos e ausência de contratos formais agravam o problema.

Sem transparência, fica difícil planejar, auditar ou contestar pagamentos. Esse cenário reforça a desigualdade estrutural dentro da economia digital.

O mito da inclusão pela visibilidade

O estudo também desmonta uma narrativa comum. A ideia de que visibilidade gera inclusão econômica não se sustenta na prática.

Quem lucra com a criação periférica nem sempre é quem produz. A visibilidade pode crescer rapidamente. Porém, a monetização segue limitada e concentrada.

Desigualdade estrutural na economia criativa

Por fim, a pesquisa aponta um problema mais profundo. A criação periférica movimenta cultura, linguagem e identidade nacional. Mesmo assim, a renda gerada não retorna de forma justa para quem cria.

O estudo sugere a necessidade de políticas públicas mais eficientes. Transparência, acesso à informação e formalização contratual são caminhos possíveis.

O cenário atual exige reflexão. A economia criativa cresce, mas ainda carrega desigualdades históricas. Enquanto isso, muitos artistas seguem produzindo valor sem receber na mesma proporção.

Apresentador, jornalista e influenciador com vasta experiência em conectar marcas, pessoas, empresas e negócios. É CEO e Editor-chefe do portal “The Date News”, sendo uma figura presente e atuante nos meios artístico e corporativo.

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